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Próstata normal aos 30 anos

O que você deve saber sobre a ultrassonografia da próstata?

Seu médico solicitou um ultrassom da próstata.Você certamente já o conhece ou deve ter ouvido falar sobre ele, mas pode ter algumas dúvidas ou desejar esclarecimentos adicionais. As explicações que você receberá foram preparadas pelo American Institute of Ultrasound in Medicine (AIUM), para responder as dúvidas e perguntas mais freqüentes dos homens sobre a ultrassonografia da próstata.
 

O que é ultrassom?

O ultrassom é o som comum, mas a freqüência é mais elevada do que o alcance da escala auditiva humana (é mais alto). O som de alta freqüência pode ser focalizado como um raio laser para os tecidos do corpo, por meio de uma sonda e o feixe sonoro é refletido nas interfaces das estruturas internas. Os ecos que retornam são recebidos pela sonda e convertidos em sinal digital por um equipamento eletrônico e formam figuras anatômicas dos tecidos e órgãos examinados, as quais são projetadas em uma tela de televisão. As imagens são obtidas em tempo real, substituindo-se continuamente, de 15 a 30 quadros por minuto e fornecem uma visualização dinâmica do seu organismo. A documentação pode ser por meio de filmes, papel, vídeo, disco magnético óptico, DVD ou computador. O exame é denominado de ecografia ou ultrassonografia.
 

O exame ultrassonográfico é seguro?

O AIUM tem um comitê de efeitos biológicos que regularmente se reúne com o FDA - Food and Drug Administration, o PROCON dos norte-americanos, para reportar os efeitos e segurança do ultrassom. O ultrassom é um feixe de onda cuja energia é mecânica e muito fraca, tendo sido estudado profundamente desde a década de 50 e, até o presente, não foi relatado nenhum efeito nocivo associado ao seu uso para diagnóstico médico, motivo pelo qual o FDA permite que seja utilizado em qualquer pessoa, inclusive gestante.

Embora não exista qualquer efeito prejudicial conhecido relacionado ao uso médico do ultrassom diagnóstico, ele poderá vir a ser descoberto no futuro. As informações disponíveis até o momento indicam que os benefícios para a paciente e o feto ultrapassam os riscos eventuais, se por acaso vierem a existir.
 

O que é a próstata?

A próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor do homem. É parecida com uma noz, quanto ao seu tamanho, formato e peso. A próstata envolve a uretra, que é um canal que leva a urina da bexiga até o pênis. Sua principal função é produzir uma secreção, que é eliminada durante a ejaculação por vários canais que se abrem para a uretra e se mistura com as secreções provenientes da vesícula seminal, formando o sêmen.
 

Por que o exame tem que ser pelo reto?

A próstata está localizada entre a bexiga urinária e o reto, atrás do osso do púbis, o que impede o exame adequado pela via abdominal. Sua localização "escondida" atrás do púbis e ao redor da uretra, profundamente situada na pelve era muito difícil de ser examinada pelos métodos antigos e os diagnósticos do câncer geralmente eram tardios. A ultrassonografia pela via transretal permitiu, pela primeira vez, uma análise in vivo com ricos detalhes anatômicos da próstata e o conhecimento da história natural de patologias benignas desta glândula, alguns insuspeitados. Hoje é um método de diagnóstico fundamental e indispensável na detecção das patologias que a afetam, no direcionamento das biópsias, como coadjuvante de algumas terapias e no acompanhamento das doenças.

O exame pela via transabdominal da próstata exige a utilização de um transdutor de maior penetração, para poder atravessar todas as camadas teciduais até atingi-la (pele, subcutâneo, musculatura, aponeurose, bexiga urinária), de menor resolução e que não permite a análise fidedigna morfotextural. Nem as medidas da próstata são corretas pela via transabominal, devido ao bloqueio do feixe ultrassonográfico ao atingir o osso do púbis, o que impede a visualização completa da glândula. O volume prostático tem que ser estimado com precisão para a correta interpretação do PSA, para análise do crescimento da próstata ou da resposta ao tratamento, o que exige a via transretal. Também a análise morfotextural das zonas da próstata (permite a detecção precoce do câncer) e o rastreamento de áreas de hipervascularização pelo estudo Doppler (outro recurso para detecção precoce do câncer), só são possíveis quando o exame é realizado pela via transretal, que utiliza um transdutor de resolução muito superior, mas de baixa penetração e, por isso, tem que estar junto ao local examinado (a próstata está acolada ao reto). Para a detecção precoce de qualquer outra anormalidade sutil da próstata, a via transretal também se impõe.
 

O que é câncer de próstata e como detectá-lo

O câncer de próstata é uma doença que compromete as células da próstata. Normalmente as células crescem e se dividem de uma forma ordenada, mas quando as células cancerígenas se desenvolvem, elas se multiplicam continuamente, quando deveriam parar. Esse crescimento e divisão celular desordenados são responsáveis pela formação do tumor.

O câncer da próstata, nos estágios iniciais do seu desenvolvimento, quando o tratamento é curativo, pode passar totalmente desapercebido, motivo pelo qual você deve periodicamente repetir seus exames de rotina, denominados "preventivos" (toque retal, dosagem do PSA e US transretal da próstata, com estudo Doppler). Há vários tipos de tumores da próstata, alguns de crescimento muito lento e que emitem raízes (metástases) tardiamente e outros, muito agressivos, que se não forem descobertos precocemente irão levar ao óbito em pouco tempo. Eles são graduados pela classificação anátomo-patológica, sendo mais conhecida a de Gleason. As gradações menores de Gleason estão relacionadas com os tumores mais benignos (com maior probabilidade de cura) e as maiores com os tumores mais agressivos e malignos (mais letais).

Acreditava-se que o PSA fosse secretado 10 vezes mais em todos os tipos de células malignas, o que permitiria ser um excelente rastreador do câncer de próstata. Em 2005 descobriu-se que somente os tumores malignos menos agressivos (gradação menor) e mais facilmente curáveis são capazes de produzir esse antígeno de membrana e seriam rastreados pelo PSA (a maioria deles também é detectável pelo toque retal).

Nos tumores mais agressivos as células estão tão indiferenciadas, que são incapazes de secretar PSA. Portanto, este método seria pouco sensível para o rastreamento do câncer de próstata, especialmente das linhagens mais malignas (gradação maior), que teriam que ser descobertas mais precocemente (soltam raízes mais cedo e são letais). A ultrassonografia da próstata ganhou grande importância no rastreamento do tumor precoce da glândula quando se descobriu que os tumores mais agressivos são intensamente vascularizados e essa anormalidade pode ser detectada pelo estudo Doppler, principalmente com o dispositivo Power de alta sensibilidade. É indispensável que o exame seja realizado pela via retal e com o Power Doppler muito sensível, capaz de detectar os nichos de hipervascularização formados por esses tumores muito agressivos.


Caso descoberta alguma anormalidade focal, a ultrassonografia poderá ainda ser utilizada para direcionamento da biópsia, que será tanto mais positiva para câncer, quanto mais dirigida para as áreas hipervascularizadas da glândula.

Os tumores de próstata mais avançados são os únicos que dão sintomas e permitem que você os perceba, pois podem causar dores pélvicas ou ósseas, além da obstrução do fluxo da urina. Nesse estágio, quando a doença já se espalhou para outras partes do corpo, as suas chances de ser curado se reduzem significativamente.
 

Por que eu deveria fazer um exame ultrassonográfico da próstata?

Muitas doenças envolvem a glândula prostática, incluindo as anormalidades da estrutura prostática, as infecções, os cistos, a hipertrofia (aumento) e o câncer (o mais comum do homem). O exame ultrassonográfico é usado para detectar as doenças e as alterações prostáticas junto com o toque retal e outros exames laboratoriais. A dosagem do PSA (antígeno prostático especifico) no sangue, embora seja considerado um bom rastreador do câncer de próstata, detecta apenas 70% dos casos. O toque retal também não consegue detectar o câncer mais agressivo da próstata, pois ele cresce invadindo e mesclando-se com o tecido prostático não canceroso, o que impossibilita ao médico senti-lo como um nódulo distinto do restante da glândula. Portanto, é indispensável você se submeter ao exame ultrassonográfico retal (de alta resolução), associado ao estudo com Power Doppler, para que sejam detectados praticamente todos os casos desta moléstia, em especial quando o câncer está no seu estágio inicial, que é curável.

Vendo por esse prisma, a situação do homem é melhor do que a da mulher, que não dispõe de meios tão efetivos para controle dos tumores de mama e ovário até o presente.


O diagnóstico específico de câncer prostático requer a biópsia, que é feita com a retirada de uma amostra de tecido, da área de suspeita da glândula. Se uma área suspeita ou muito vascularizada for identificada na ultrassonografia transretal, uma biópsia poderá ser realizada sob direcionamento ultrassonográfico, para ser retirado uma pequena amostra de tecido, a qual será examinada ao microscópico por um patologista, que emitirá o laudo final.
 

Indicações da ultrassonografia de próstata

  • Exame digital alterado com PSA normal em pacientes de qualquer idade;
     
  • Como exame de rotina (anual) em pacientes acima de 50 anos;
     
  • PSA aumentado em pacientes de qualquer idade;
     
  • Diagnosticar patologias benignas da próstasta (hiperplasia prostática benigna, infartos, prostatites, ectasia ductal benigna, calcificações, lesões focais uretrais, cistos prostáticos, lesões ductos ejaculatórios, malacoplaquia);
     
  • Diagnosticar a infertilidade;
     
  • Diagnosticar o câncer de próstata (rastreamento anual após os 50 anos);
     
  • Dirigir biópsia, em especial para as áreas de hipervascularização (Doppler);
     
  • Estadiamento do câncer de próstata;
     
  • Guiar implante de radioterapia local;
     
  • Seguimento hiperplasia prostática benigna, suspeita de tumor, pós cirurgia.
     

Por que fazer o estudo doppler da próstata?

O Risco de uma área hipoecóica da zona periférica da próstata (região que responde por 70% dos casos de câncer da glândula) varia de 17 a 57%. Entretanto, alguns tumores são isoecóicos (não têm contraste entre o tecido normal e o patológico) e não são vistos. Além disso, é comum a próstata ser heterogênea, o que dificulta identificar uma determinada área como a suspeita. O tumor maligno cresce mais rápido do que o tecido normal ou TU benigno, pois requer maior suprimento sangue e é mais vascularizado. Portanto, recomenda-se atualmente a complementação do estudo morfológico com o Power e Doppler-duplex colorido. O Doppler colorido não é o melhor método para o exame da próstata, pois os vasos que estiverem orientados paralelamente à sonda (ângulo de 90º) não serão identificáveis, enquanto que o Power Doppler independe do ângulo de incidência e consegue detectar muito mais vasos e com fluxo mais lento.

Os equipamentos de ultrassom mais antigos não melhoravam a acuidade diagnóstica, pois não tinham a sensibilidade para detectar os vasos diminutos e com fluxo sanguíneo lento da próstata. Essa situação mudou completamente com o advento dos equipamentos mais recentes e sofisticados de Power Doppler. A probabilidade de haver um câncer de próstata aumenta 4.7 vezes se houver hipervascularização focal no estudo Power Doppler. A biópsia da próstata deverá ser direcionada com ultrassom para zona de maior risco (hipervascularizada) e, dessa forma, é possível diminuir o número de biópsias que serão realizadas.
 

Quem é o examinador?

No Brasil, por determinação do CFM - Conselho Federal de Medicina, somente um médico(a) pode realizar e interpretar os exames de ultrassom. Para isso ele(ela) irá obter registros em série da próstata, para depois interpretá-los, relatando e concluindo sobre todas as lesões observadas. Esta interpretação não poderá ser disponível imediatamente após o seu exame, pois é tão ou mais complexa do que a realização do exame. Em alguns casos o seu médico irá necessitar de uma biópsia ou de outros exames laboratoriais, para esclarecer algum achado dúbio ou incerto.
 

Necessita-se de alguma preparação para o exame?

O exame morfológico e Doppler da próstata geralmente não requerem qualquer preparo. Alguns pacientes poderão necessitar de enema glicerinado antes do exame.

Se for realizada a biópsia da próstata, será necessário o uso de antibióticos antes e depois do procedimento, além do fleet enema, horas antes do exame. Se você estiver tomando aspirina, pílulas de alho ou anticoagulantes, eles terão que ser descontinuados de 7 a 14 dias antes da data marcada. Informe seu médico sobre qualquer medicação que esteja tomando ou se você é alérgico a alguma medicação. Se você for portador de prótese cardíaca, terá que receber uma dose extra de antibiótico endovenoso. Informe esses detalhes, quando marcar o exame.
 

O exame dói?

No exame ultrassonográfico de próstata a dor é referida apenas como um desconforto retal, similar ao encontrado no exame feito pelo médico urologista. Se for feita a biópsia da próstata, um desconforto adicional é relatado, quando da picada da agulha, embora perfeitamente tolerável com o analgésico tópico que é utilizado previamente ao procedimento.
 

Como é feito o ultrassom da próstata?

Para que você não sinta dor durante o procedimento, 60 minutos antes será colocado um supositório (analgésico e antiinflamatório) no reto. Minutos antes de iniciar o exame também será colocado anestésico tópico. O procedimento é bem tolerado, com esses cuidados para minimizar o desconforto. A sonda é introduzida diretamente no reto e as imagens serão documentadas para permitir a posterior análise. O estudo com Power Doppler é sempre realizado após completar-se a análise morfotextural da glândula e você poderá escutar alguns ruídos ritmados, que são da pulsação do sangue nos vasos da próstata transmitindo-se pelo Doppler audível. A sala de exame tem que permanecer na penumbra para que as imagens no monitor sejam bem definidas. O sedativo utilizado para reduzir o desconforto do exame pode provocar um pouco de sonolência em algumas pessoas e recomenda-se que o paciente não dirija após o exame (efeitos cedem em 4 a 5 horas).
 

Quanto tempo demora o exame?

O tempo do exame ultrassonográfico de próstata é muito variável e geralmente está relacionado com a complexidade dos achados, variando entre 30 a 60 minutos, na maioria dos casos. No caso de haver a necessidade de biópsia, o exame pode se prolongar por 45 minutos.
 

Como eu me sentirei após o exame ultrassonográfico de próstata?

Não há dor ou desconforto após o exame. Entretanto, após qualquer exame retal, você poderá ter uma evacuação com muco ou sangue, especialmente se tiver hemorróidas ou colite. No caso de realizar biópsia, a maioria dos pacientes relata sangramento nas fezes, na urina ou no sêmen, após o procedimento.
 

Quais são os riscos deste exame ultrassonográfico?

Se você tiver hemorróidas ou outras lesões retais, poderá sentir algum desconforto durante o exame e poderá apresentar sangramento retal discreto, após o exame, minimizado pelo analgésico e anestésico que utilizamos em nosso serviço. Se for realizada uma biópsia você talvez possa sangrar nas fezes, na urina ou no sêmen, após o procedimento. O sangramento pode durar desde dias, até semanas após a biópsia.

Existe um risco baixo de infecção, no caso de ser feita a biópsia. Se você tiver febre, dor ou qualquer outro sintoma incomum após o procedimento, pode ser uma infecção e você deverá contatar o seu médico, para que ele prescreva antibióticos adicionais. Se a infecção acontecer é geralmente pequena e pode ser tratada facilmente, desde que relatada imediatamente. Recomenda-se que não viaje até 10 dias após o exame ou que tenha um médico que possa atendê-lo no local de destino.