Buscar no portal:

Mama esquerda apresentando dois cistos - benignos

O que você gostaria de saber a respeito do exame ultrassonográfico das mamas

Seu médico solicitou um ultrassom das suas mamas e, embora você possa conhecê-lo, pode ter algumas dúvidas.

O AIUM- American Institute Ultrasound in Medicine, uma entidade que congrega médicos e cientistas dos EUA e de outros países, disponibiliza as informações preparadas pelos seus cientistas mais eminentes para esclarecer as dúvidas e perguntas habituais.
 

O que é o ultrassom?

O ultrassom é similar ao som comum exceto que tem uma freqüência mais elevada (ou mais alta), não sendo audível pelo ouvido humano. Ele é direcionado para o corpo por um dispositivo manual denominado de transdutor (sonda), que desliza sobre a sua mama sob o comando do médico ultrassonografista, emitindo um feixe de som, que pode ser focalizado como um raio laser e se reflete nas interfaces das estruturas internas.

Os ecos que retornam são recebidos pelo mesmo transdutor que o emitiu e convertidos eletronicamente em imagem, a qual é projetada num monitor de TV. Estas imagens mudam continuamente, dando a impressão de um filme das estruturas e órgãos em movimento e podem ser registradas em filmes, papel, vídeo-tape, discos magnéticos ópticos ou computador. O ultrassom diagnóstico é comumente denominado ultrassonografia.
 

O ultrassom é seguro?

Não existe nenhum efeito prejudicial conhecido do ultrassom relacionado ao seu uso médico.O AIUM tem um comitê de efeitos biológicos, que se reúne regularmente com o FDA - Food and Drug Administration, o PROCON dos americanos, para considerar a segurança e avaliar os trabalhos científicos relacionados com os efeitos biológicos e a segurança do ultrassom e, até o presente, nenhum efeito biológico prejudicial foi detectado, sendo muito completo o estudo já realizado na área de ultrassonografia diagnóstica, incluindo estudos em animais, in vitro e em humanos.

Os benefícios para o paciente ultrapassam os riscos eventuais, se por acaso vierem a existir, pois o ultrassom tem sido extensivamente usado na prática clínica desde 1954 e até agora se demonstrou inócuo. Dos novos métodos de diagnóstico por imagem é o mais estudado pelos cientistas, quanto aos seus potenciais efeitos deletérios e, até o presente, nenhum efeito prejudicial foi detectado.
 

Porque eu necessito realizar o exame de ultrassom?

As informações obtidas de um exame físico da mama ou pela mamografia (convencional ou digital) são freqüentemente insuficientes para a realização do diagnóstico completo da sua mama.

A ultrassonografia mamária, realizada em conjunto com o exame físico ou com uma mamografia, pode identificar cistos, tumores, abscessos, linfonodos, ectasia dos ductos mamários, vegetações e tumores sólidos incipientes nas paredes ductais, devido sua capacidade de discernir cada camada tecidual e poder correlacioná-las com a anatomia e patologia das mamas. As vantagens da ultrassonografia mamária aumentam quando a mama é muito densa e difícil de ser examinada, tanto pelo médico, quanto pela mamografia, como ocorre nas seguintes situações:

  • jovens;
  • mastopatia fibrocística (displasia);
  • mamas submetidas à radioterapia prévia;
  • portadoras de prótese de silicone
  • pacientes que estão sob terapia hormonal (p.e. tratamentos para engravidar e da menopausa);
  • gestantes;
  • mastites (inflamações).

A ultrassonografia pode detectar aquelas mamas que são de maior risco para ter o câncer de mama, ou seja, que apresentem mastopatia fibrocística muito intensa (muito densa), espessamento das paredes dos ductos mamários, calcificações no parênquima e ductos, alterações da arquitetura tecidual mamária e da sua vascularização (detectadas pelo estudo Doppler). Nesses casos, recomenda-se que os exames sejam realizados com periodicidade menor (a cada 6 meses) para maior segurança do diagnóstico precoce.

A ultrassonografia das mamas hoje não é mais um simples coadjuvante da mamografia, sendo considerada um dos principais métodos para detecção do câncer oculto na mama densa, na mama jovem (90% da mortalidade do câncer de mama ocorre na mulher com menos de 50 anos), sendo a principal arma disponível para caracterizar a lesão observada (benigna versus maligna; cística versus sólida ou mista; hipovascularizada versus hipervascularizada).

Em alguns casos, a retirada de amostras dos tecidos (biópsia) ou das células (punção aspirativa ) de uma área suspeita, pode ser necessária para finalizar um diagnóstico específico. Se a biópsia ou a punção for necessária, a ultrassonografia direcionará a agulha até o local suspeito, para a coleta do material, que será enviado para a Patologia para verificar se há ou não necessidade de uma cirurgia. As aspirações (remoção de um líquido) dos cistos mamários, também são comumente realizadas usando o direcionamento ultrassonográfico.
 

Indicações consensuais da ultrassonografia mamária

  • Para caracterizar um nódulo presente na mamografia ou na palpação (cístico versus sólido, benigno versus maligno, nódulo verdadeiro versus falso);
     
  • Para definir a conduta quando um nódulo palpável não é visto na mamografia ou quando é visto na mamografia e não é papável;
     
  • Para verificar se as microcalcificações presentes no raio X estão associadas a tumor ou a processos benignos;
     
  • Para esclarecer a mamografia inconclusiva (mamas densas, operadas, com próteses de silicone ou irradiadas);
     
  • Para evitar a mamografia, emissora de radiação ionizante, que se acumula nos tecidos e é potencialmente cancerígena (principalmente em gestantes, jovens ou naquelas que já fizeram muito exame radiológico);
     
  • Para examinar mamas densas (com mastopatia fibrocística, gestantes, jovens ou irradiadas);
     
  • Para examinar as mamas com próteses (a mamografia pode romper as próteses, além de não conseguir penetrá-las e examiná-las adequadamente);
     
  • Para examinar mamas desestruturadas após uma cirurgia ou radioterapia;
     
  • Para pesquisar a dilatação dos canais das mamas (ductos), especialmente quando há perda de secreção pelo mamilo;
     
  • Para direcionar biópsias para nódulos palpáveis ou detectados em exames de imagem;
     
  • Para rastrear o câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos, devido elevado risco de falso-negativo da mamografia (parecer do Instituto do Câncer e Instituto da Saúde dos EUA de 2004) 

Como é realizada a ultrassonografia da mama?

Você deverá trocar a parte superior da sua roupa (blusa e sutiã) por um jaleco ou bata adequados, fornecidos pela Clínica, instruída a deitar-se sobre uma maca e posicionada da forma correta para ser examinada. Um gel aquecido será espalhado sobre a pele da sua mama e um transdutor movimentar-se-á sobre as mamas e axilas. A sala geralmente permanece na penumbra durante o exame, para facilitar a visualização das imagens da sua mama no monitor de TV pelo(a) médico (a) examinador(a). Serão obtidas imagens em série das suas mamas, para posterior análise e interpretação, relatando-se e concluindo-se cada lesão observada. Quem te examinar poderá ver ou sentir uma ou mais alterações que requeiram investigação adicional durante o exame e prolongar a análise nessa(s) região(ões). O laudo com a interpretação dos achados não estará disponível imediatamente após o seu exame, pois é tão ou mais complexo do que o exame.

Em alguns casos, o médico que solicitou seu ultrassom de mama irá necessitar de outros exames complementares ou de uma análise patológica para esclarecer algum achado dúbio ou incerto relatado no laudo e, para isso, será coletado material por biópsia ou punção com agulha fina, sob direcionamento ultrassonográfico, assegurando-se que o local suspeito foi corretamente localizado e amostrado. No nosso serviço o material coletado é imediatamente examinado ao microscópio para saber se será suficiente para análise citopatológica e evitar a necessidade de marcar um novo exame para repuncionar, abreviando-se a ansiedade pela espera do resultado.

O gel será removido ao final do exame, mas pode deixar um resíduo. Esse resíduo poderá grudar nas suas roupas e sujá-las, motivo pelo qual sua roupa é trocada antes do início do exame, conforme já explicado.

O exame é indolor, porém as mamas muito dolorosas ou densas podem doer a qualquer tipo de pressão realizada, mesmo que muito discreta.
 

Quem irá realizar o exame?

No Brasil, por determinação do CFM - Conselho Federal de Medicina, somente um médico ou uma médica podem realizar e interpretar os exames de ultrassom.
 

Quais são as limitações deste exame?

As imagens ultrassonográficas das mamas correlacionam-se com aquelas provenientes da anatomia e patologia seccional (fatias do corpo), sendo consideradas de excelente acuidade diagnóstica, quando realizadas em aparelho de alta resolução, com a metodologia correta e por um profissional bem preparado (especialista em ultrassonografia). A ultrassonografia pode e frequentemente detecta massas e lesões, que não são observadas na mamografia, pois ela preserva todas as camadas teciduais da mama, sem modificá-las, sem transformar a forma tridimensional da mama em bidimensional.

A ultrassonografia , por visualizar toda a sua mama em fatias muito finas, que não sobrepõe as várias camadas teciduais (problema da mamografia), permite perfeita correlação da anatomia patológica com as imagens ultrassonográficas seccionais da mama e a resolução é equivalente ao aumento 10 do microscópio óptico. A penetração não é afetada se a mama for densa ou grande (problemas da mamografia) e em geral permite uma diferenciação precisa entre o que é tecido mamário espessado, nódulos de gordura endurecidos ou canais dilatados (pseudo-nódulos), dos que são nódulos verdadeiros (cistos ou tumores). A ultrassonografia das mamas é considerada o melhor método para determinar as características dos nódulos encontrados, classificando-os como de padrão benigno (baixo risco de câncer), maligno (maior risco de câncer) ou duvidoso (risco moderado de câncer) pelo ultrassom. Se um nódulo mamário tiver todas as características morfológicas e Doppler de benignidade o FDA permite que não seja biopsiado e seja acompanhado (reexaminado periodicamente).

Entretanto, se qualquer área suspeita for notada na mamografia ou ressonância nuclear das mamas e não for detectada na ultrassonografia, ela poderá ser avaliada por outros meios ou observada pela ultrassonografia com periodicidade menor ( 3 ou 6 meses), verificando-se a veracidade ou falsidade da lesão suspeitada, pelo acompanhamento evolutivo. As principais falhas do diagnóstico ultrassonográfico são decorrentes das seguintes origens principais:

  • Nódulo é isoecogênico (mesma textura) do tecido mamário ao seu redor e não há contraste entre o normal e patológico que permita identificá-lo. Essa situação ocorre com maior freqüência quando o nódulo está situado na camada adiposa do subcutâneo, sendo a maioria deles benignos (fibroadenomas) ou quando a mama tem muito tecido glandular e escassa quantidade de tecido fibroso (o fundo da imagem é hipoecogênico);
     
  • O nódulo é excessivamente pequeno e ainda não pode ser detectável. Neste caso, se a paciente for examinada com intervalo de 6 meses, a nodulação geralmente já se tornou aparente e poderá ser diagnosticada quando ainda é pequena. Por esse motivo os controles não podem ser longos e a periodicidade recomendada pelo AIUM é de 6 meses (alto risco) ou 12 meses (risco normal);
  • Há algum dreno, fibrose intensa, corpo estranho ou calcificação gerando sombra acústica distalmente à lesão. Neste caso, o nódulo somente não será visto se estiver situado no trajeto da sombra, que representa uma área de bloqueio da transmissão sonora, mas todo o restante das mamas será bem examinado.
     
  • Falha técnica (um aparelho inadequado, uma sonda inapropriada, ajuste incorreto do equipamento e desconhecimento da física do ultrassom);
     
  • Falhas humanas (treinamento inadequado na técnica do exame e desconhecimento da patologia mamária).
     
  • Mamas "difíceis". Um dos grandes problemas no diagnóstico precoce de câncer de mama é que os critérios clássicos do tumor da mama nem sempre estão presentes, tanto no exame de ultrassom, quanto na mamografia, na ressonância magnética, na cirurgia e na patologia. Existe o padrão benigno, o maligno e o "talvez" e, nesta categoria, geralmente estão as pacientes de maior risco para desenvolver o câncer de mama. Esta dificuldade diagnóstica é compartilhada entre todos os médicos que examinam ou tratam as mamas: radiologista, ultrassonografista, cirurgião, patologista nos exames de congelação (realizados em biópsias no centro cirúrgico). Há casos que precisam de um segundo ato cirúrgico, após o patologista alterar seu diagnóstico provisório intra-operatório, pelo exame final na parafina, de maior acuidade diagnóstica (resultado demora 3 a 4 dias).
     

Quanto custa um exame de mama?

O preço de um ultrassom de mama varia amplamente a depender as razões do exame, da complexidade dos achados, da necessidade de se complementar com o estudo Doppler ao se detectar lesões sólidas, mistas e áreas de alteração arquitetural ou do tipo de equipamento utilizado.